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Desabafo de um Designer

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por Adolfo Morandini


Nós, designers, (incluindo também os ilustradores e artistas) adoramos o que fazemos. Ninguém entra nessa área sem ter, no mínimo, muita paixão pelo que faz.

Nesses anos de atuação profissional através do meu próprio estúdio, perdi a conta de quantos clientes, amigos e desconhecidos me pediram logotipos, ilustrações, artes, ‘desenhinhos’ ou ‘pequenos favores’ de graça. A maioria foi delicadamente recusada mas, confesso aqui publicamente meus pecados: já atendi alguns desses pedidos… Tá legal, vou falar a verdade… Já atendi VÁRIOS desses pedidos! (tenho culpa de ter muitos ‘amigos’?) Mas também tenho de dizer que, depois de longo ‘tratamento’ já estou quase curado dessa incômoda patologia!

E não estou falando de filantropia, pois quando identifico trabalhos sociais bem intencionados, faço questão de atender e ajudar. Falo de pedidos sem remuneração, feitos para atender necessidades pessoais, comerciais e corporativas. Coisa que vai gerar retorno, seja de imagem, de público ou até mesmo financeiro.

Ao longo desses anos, esses pedidos assumiram as mais variadas formas e vieram disfarçados sob os mais diversos argumentos. Seguem os mais comuns:

  • Não precisa ter pressa… Quando você tiver cinco minutinhos sobrando você faz.
  • No momento a grana está curta, mas assim que der retorno a gente acerta!
  • Faça esse trabalho de graça e no próximo eu nem pergunto o preço!
  • Pagar eu não posso, mas vou divulgar seu nome para todo mundo!
  • Você poderá divulgar seu nome junto com o desenho ou colocar sua assinatura na arte!
  • Isso pra você é moleza…
  • Tenho um amigo que faz de graça mas quero dar a oportunidade para você!
  • É uma parceria: você faz de graça agora e ganha lá na frente!
  • Faça uns esboços. Se eu gostar a gente acerta um preço.
  • Não precisa ser nada muito caprichado…
  • Faz aí depois a gente acerta!
  • Ah, mas isso é diversão para você! Você faz brincando!

 

Todas essas frases e pedidos me levam a acreditar que essas pessoas que pedem coisas de graça acham que:

  • Eu não me alimento, não tenho contas para pagar e meu carro é abastecido com ar.
  • Meus softwares são de graça e recebo meus computadores e equipamentos como doação.
  • Minha conexão de internet é feita através de telepatia.
  • Eu desenho por diversão, crio logotipos por prazer e projeto coisas apenas para ocupar o tempo.
  • As ideias nascem na cabeça por geração espontânea.
  • Acho livros e material de pesquisa na rua.
  • Recebi uma herança (grana pra nunca mais ter de trabalhar!) e resolvi virar uma espécie de ‘Madre Tereza de Calcutá’ do design e da arte, fazendo apenas caridade.
  • Meu dentista, meu contador, minha faxineira e todos aqueles que prestam serviços para mim, trabalham por prazer, sem cobrar um centavo!

 

No ‘mundo real’, porém, a matéria prima do meu trabalho é uma equação muito bem balanceada. Ela é composta de TEMPO (um bem muito precioso!), IDÉIAS (fruto de mais de 30 anos de estudo e uma vida inteira de experiências), PROFISSIONALISMO (coisa rara nos tempos atuais) e CONHECIMENTO (resultado de todos os trabalhos feitos até hoje e de MUITA pesquisa).

Isso tudo tem um valor. O valor que, quando é pago, reverte em benefícios enormes para quem me contrata, gerando muito retorno institucional e financeiro.

Design e arte não são caros. A forma com que se investe neles (pagando por eles) é diretamente proporcional ao grau de seriedade que uma pessoa tem em relação ao seu empreendimento, seu pequeno negócio e sua própria imagem.

 

 
sempre criando...

1 Comentário

  1. Fabia Ambrosio disse:

    Cara, perfeito texto.
    Sou Designer também, me deparo com isso todos os dias, inúmeras vezes.
    Infelizmente essa situação é comum.

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