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Origens do Desenho

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por Rosana Silveira

Pode-se dizer que a origem do desenho se deu através da linguagem, como forma de comunicação. Pesquisando nossos antepassados, encontramos manifestações artísticas rabiscadas nas cavernas em que moravam, sendo batizadas de Aborigenografia. As ações que faziam durante o dia (caçadas, aventuras com um animal selvagem, a conquista de uma fêmea) eram traçados nas paredes das cavernas como forma de expressão.

As primeiras ideografias, ou seja, toda e qualquer forma de expressão gráfica proposital humana, com desenvolvimento natural e objetivo de haver um sistema de comunicação referente a imagem ou palavras, não são de fácil definição. O problema acontece pela falta de organização no sistema de linguagem e de uniformidade nas convenções gráficas, caracterizando a aborigenografia, pois nem sempre é possível o entendimento da mensagem do autor. Já que não possuíam uma língua definida, a comunicação era transmitida através de gestos, sinais e signos. Ao estudarmos o desenho é necessário estudar também a linguagem e, para isto, devemos nos familiarizar com os fundamentos da Linguística e da Semiologia.

A Linguística, como estudo científico, surgiu em 1916, tendo como interesse principal a linguagem resultante da fala humana ou linguagem verbal, como o campo do saber humano que identifica, pesquisa, estuda e sistematiza os conhecimentos relativos, principalmente os provenientes da fala.

A Semiologia, a partir do campo do saber humano, sistematiza conhecimentos relativos ao significados dos signos utilizados em diferentes tipos de linguagens usadas na comunicação humana, onde o termo provém do grego semeion, ou signo.

A cultura de ideias de um ser humano é formada a partir de vivências no seu âmbito, adquirindo conhecimento através de elementos significantes de suas linguagens "verbais" e "não-verbais". A linguagem verbal seria uma comunicação vocal ou oral, opondo-se à não-verbal que se caracteriza pela escrita ou grafismo. Porém, ambas compõem uma comunicação total. Podemos entender, então, por que a criança se comunica através de mímicas e gestos: pois fica mais fácil compreender. Com o tempo, a linguagem verbal vai se familiarizando no seu cérebro, realizando uma composição que intensifica a comunicação. A escrita sendo uma linguagem gráfica, fez com que o grafismo conduzisse o homem a formar uma civilização na qual pudesse comunicar-se entre si. O emprego dos sinais desenvolveu um significado, ou seja, conceitos inteligíveis de um ser humano que se transformam em um signo. O signo provém de um sinal impresso na mente, onde proporcionará conhecimento através do grafismo em qualquer circunstância pelas semelhanças, analogias e causas. Estes signos, devido à qualidade funcional e estética podem ser considerados símbolos, tornando-se conhecidos em qualquer lugar do mundo, podendo também representar algo mais do que significa para um povo em relação a outro. (Ex.: signo iconográfico de um peixe pode significar um ser vivo das águas ou mentor de uma religião.)

Através de elos entre o desenho e a escrita, podemos compreender melhor a origem gráfica da palavra desenho. Investigando a língua dos povos foi possível entender este envolvimento. Uma das línguas oficiais da Índia, a hindi, tem como principal característica escrever tal como se fala, a chamada "língua fonética". Já os índios americanos da tribo Siona utilizavam a mesma palavra para se referirem ao desenho e à escrita. Esta característica de expressar o desenho e a escrita por uma mesma palavra faz parte de pelo menos três línguas diferentes: a egípcia, que não existe mais, a chinesa e a grega.

A escrita egípcia é realizada através de desenhos que identificam o ato da palavra. A chinesa entende desenho e escrita pela palavra "caligrafia", onde o ideograma é caracterizado pela união de quatro grafismos: a mão que segura um pincel (ferramenta típica da China), dois pequenos traços que significam o signo e o contorno de uma boca que representa a palavra e o pensamento.

Como podemos observar, a comunicação é iniciada através de mímicas, gestos e desenhos. É uma forma de orientar e aproximar dois indivíduos para que se entendam.

O homem necessita da comunicação para estabelecer-se em uma sociedade. É como vermos pessoas de países com idiomas diferentes tentarem se comunicar através de gestos e, até mesmo, desenhos. Para que uma criança se familiarize com o idioma do âmbito em que vive, existem técnicas usando desenhos, facilitando um aprendizado mais preciso. Inclusive para deficientes físicos o processo de comunicação proporcionou uma ajuda, favorecendo sua integração com sociedade. No caso dos surdos-mudos, o alfabeto gestual facilitou a compreensão e o próprio aprendizado. Já os cegos, ganharam uma grafia interessante através de pontos, a qual fortaleceu suas habilidades perante a sociedade, estabelecendo oportunidades para participar de concursos e trabalhar em empresas.

O desenho como linguagem é caracterizado também na forma de ícone. A iconografia ou "desenhos de imagem" é considerada a mais primitiva representação gráfica para expressar as ideias do pensamento humano. A linguagem fonográfica ou "escritas da fala", representa sons articulados emitidos pela fala humana, considerados uns dos mais sofisticados modos de expressão gráfica. Porém, médicos e estudiosos acreditam que essa tendência de utilizar linguagem fonográfica para iniciar a educação compromete a formação de cidadãos, especialmente em sociedades ocidentais que estão em fase de desenvolvimento econômico. Como algumas crianças não têm contato com formas primitivas, acabam tendo dificuldade em entender as formas fonográficas, prejudicando o desenvolvimento sistemático, através da educação formal, de todo o seu potencial afetivo-cognitivo, psicomotor e intelecto-criativo. A partir dos quatro anos de idade, a criança começa a estabelecer uma distinção muito importante entre o universo gráfico próprio do desenho de observação e o universo gráfico próprio da escrita.

As representações gráficas, com um estudo profundo, ajudam-nos a compreender e até mesmo encontrar as razões da necessidade humana de grafar suas ideias.

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